{"id":12559,"date":"2020-05-10T21:39:17","date_gmt":"2020-05-11T00:39:17","guid":{"rendered":"https:\/\/mjtom.com.br\/site1\/?p=12559"},"modified":"2022-01-07T13:03:28","modified_gmt":"2022-01-07T16:03:28","slug":"mae-e-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinprfsp.org.br\/index.php\/2020\/05\/10\/mae-e-mae\/","title":{"rendered":"M\u00e3e \u00e9 M\u00e3e!"},"content":{"rendered":"<div class=\"descricao\">\n<p><span style=\"font-size: small;\">Por Angelo Marion<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\">Psicanalista e Policial Rodovi\u00e1rio Federal<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"http:\/\/www.angelopsicanalise.com\">www.angelopsicanalise.com<\/a><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: small;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Artigo_m\u00e3e\" src=\"https:\/\/mjtom.com.br\/site1\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/mae-e-mae_61789fb45c162.jpeg\" alt=\"Artigo_m\u00e3e\" width=\"548\" height=\"311\"><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 A natureza, ou a cria\u00e7\u00e3o, deu \u00e0 mulher a oportunidade \u00fanica de ser respons\u00e1vel pela perpetua\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana. Desconhece-se at\u00e9 aqui a gera\u00e7\u00e3o de uma pessoa fora do \u00fatero, pois a fertiliza\u00e7\u00e3o pode ocorrer fora, mas a gesta\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 vi\u00e1vel na anatomia e na fisiologia de uma mulher que, quando gestante, prepara-se para ser m\u00e3e, condi\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o de vida das mais louv\u00e1veis e tamb\u00e9m da mais alta responsabilidade. M\u00e3e \u00e9 um ser que empresta seu corpo, doa sua vida para que outro ser possa nascer.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 A t\u00edtulo de curiosidade, a escritora e psicanalista Christiane Olivier, no livro Os Filhos de Jocasta, discorda de Freud no tocante \u00e0 origem dos infind\u00e1veis embates dos g\u00eaneros: enquanto Freud afirma que as mulheres tem inveja dos homens devido a diferen\u00e7as anat\u00f4micas genitais, a autora afirma, n\u00e3o sem sentido, que a tentativa masculina de submeter a mulher decorre da inveja que o homem tem do fato da mulher ser a \u00fanica capaz de gerar um ser humano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Sim, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es nessa rela\u00e7\u00e3o entre as atribui\u00e7\u00f5es masculinas e femininas, da\u00ed vemos mulheres que desconsideram essa fun\u00e7\u00e3o essencial e homens que, embora n\u00e3o possam gerar, cuidam de um(a) filho(a) com tamanho afeto que a aus\u00eancia da m\u00e3e &#8211; seja qual for o motivo dessa aus\u00eancia \u2013 \u00e9 bastante amenizada e n\u00e3o prejudica o desenvolvimento da crian\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Pois bem, ao lado dessa fun\u00e7\u00e3o materna, merecedora de todo o reconhecimento e prest\u00edgio, a mulher tem, ao se tornar m\u00e3e, e isso desde a concep\u00e7\u00e3o, uma responsabilidade compat\u00edvel com a import\u00e2ncia de ser o \u00fanico g\u00eanero capaz de trazer outro \u00e0 luz, pois a maternidade n\u00e3o se resume \u00e0 fisiologia da gravidez e do parto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Al\u00e9m da amamenta\u00e7\u00e3o e demais cuidados com o rec\u00e9m-nascido, existe uma responsabilidade, quase que total, pela qualidade da forma\u00e7\u00e3o afetiva da crian\u00e7a, desde a amamenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 os cuidados e orienta\u00e7\u00f5es na puberdade, pois para a crian\u00e7a, a primeira e mais importante figura com quem entra em contato nesse mundo \u00e9 a m\u00e3e. E a qualidade dessa forma\u00e7\u00e3o vai influenciar diretamente toda a hist\u00f3ria e as condi\u00e7\u00f5es afetivas e emocionais dessa crian\u00e7a desde a inf\u00e2ncia, e de maneira mais consolidada na fase adulta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Isso quer dizer que o esfor\u00e7o e a dedica\u00e7\u00e3o de uma m\u00e3e n\u00e3o se resume ao cuidado ou responsabilidades objetivas para com a crian\u00e7a, indo al\u00e9m, colocando sobre os ombros &#8211; melhor diria sobre o cora\u00e7\u00e3o &#8211; dessa mulher agora realizada, uma carga afetiva onde, antes de cuidar do filho(a), deve cuidar de si, da sua vida afetiva e ps\u00edquica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 N\u00e3o h\u00e1 regra perfeita e 100% eficaz para uma m\u00e3e criar e educar um(a) filho(a), e embora exista todo um rol de recomenda\u00e7\u00f5es, cient\u00edficas ou costumeiras, a profundidade da rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e filho(a) leva a mulher a um mergulho no oceano, muitas vezes sem a terra \u00e0 vista, exigindo uma vis\u00e3o e for\u00e7as sobre-humanas. Tamanho \u00e9 o impacto desse mergulho, que muitas vezes temos casos de depress\u00e3o p\u00f3s-parto, onde a m\u00e3e n\u00e3o suporta a realidade instintiva prim\u00e1ria, fundamental que envolve o parto. H\u00e1 indica\u00e7\u00f5es que essa depress\u00e3o decorre da vulnerabilidade afetiva da mulher por uma forma\u00e7\u00e3o distorcida, onde ela v\u00ea a si mesma apenas como mulher, como esposa, como profissional, como amiga, mas n\u00e3o v\u00ea em si a figura da f\u00eamea reprodutora, de base instintiva e muitas vezes recalcada ou reprimida para o inconsciente, e quando se depara com essa realidade, entra em depress\u00e3o. Definitivamente ser m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 algo simples ou f\u00e1cil, e exige, no m\u00ednimo, consci\u00eancia das suas fun\u00e7\u00f5es nesse mundo. E sim, a forma\u00e7\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o afetivas das meninas s\u00e3o fundamentais para que tenhamos mulheres e m\u00e3es conscientes da import\u00e2ncia e da responsabilidade da maternidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Tamb\u00e9m vemos m\u00e3es superprotetoras, outras desleixadas, m\u00e3es que querem ser pais tamb\u00e9m, e outras que querem que os pais assumam o papel de m\u00e3e, enfim, temos sim, especialmente nos tempos atuais, dificuldades afetivas das mais diversas, muitas individuais e outras de origem social, como a inser\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho, uma necessidade que leva ao distanciamento entre m\u00e3e e filho(a). Tamanha a import\u00e2ncia dessa proximidade que as leis trabalhistas e at\u00e9 mesmo a lei de execu\u00e7\u00f5es penais prev\u00ea mecanismos para que a m\u00e3e trabalhadora ou presa fique pr\u00f3xima do(s) filho(a)s, pelo menos na amamenta\u00e7\u00e3o. Quando uma m\u00e3e defende seu filho(a), mesmo condenado pelos homens, ela est\u00e1 defendendo o que de melhor ela fez nessa exist\u00eancia. O amor de uma m\u00e3e \u00e9 incompar\u00e1vel, pois se j\u00e1 deu parte de si para a gera\u00e7\u00e3o e o nascimento, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil dar a pr\u00f3pria vida pela exist\u00eancia da sua prole.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Todos somos humanos, e as m\u00e3es n\u00e3o escapam dessa regra, tendo defeitos e um grande caminho de evolu\u00e7\u00e3o a trilhar. \u00c9 ineg\u00e1vel a necessidade e o benef\u00edcio da mulher que ser\u00e1 ou \u00e9 m\u00e3e, conhecer a si mesma, suas afli\u00e7\u00f5es, ang\u00fastias, dificuldades e facilidades afetivas, visando a proporcionar ao ser vindouro, seu filho ou filha, sua cria, seu rebento, um v\u00ednculo afetivo saud\u00e1vel, suficiente e necess\u00e1rio a um desenvolvimento feliz e realizador. Mesmo as pessoas que sofrem pela aus\u00eancia real ou afetiva da m\u00e3e ainda podem lembrar que, bem ou mal, com ou sem dor, a m\u00e3e deve ser honrada &#8211; terminologia da constela\u00e7\u00e3o \u2013 ou seja, n\u00e3o se obriga algu\u00e9m a amar quem n\u00e3o deu amor, mas \u00e9 importante, e afetivamente saud\u00e1vel, reconhecer que essa m\u00e3e foi fundamental para que essa pessoa exista, enfim, foi atrav\u00e9s dessa m\u00e3e que a pessoa veio ao mundo, e isso n\u00e3o \u00e9 pouca coisa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Mas de fato, tirando as dificuldades inerentes \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana, m\u00e3e \u00e9 m\u00e3e! Essa capacidade deve ser enaltecida, cuidada, protegida. Ap\u00f3s a fecunda\u00e7\u00e3o inicia-se um processo dentro dela que n\u00e3o para, evolui sem cessar, \u00e9 m\u00e1gico, afinal, de dois gametas invis\u00edveis come\u00e7a a multiplica\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas, num projeto t\u00e3o perfeito que mesmo a ci\u00eancia tem dificuldade em definir de onde vem esse fen\u00f4meno. Uma c\u00e9lula reproduz outra, c\u00e9lulas sofrem especializa\u00e7\u00f5es, e num dado momento uma alma se estabelece nesse feto, numa proximidade t\u00e3o \u00edntima com a alma da m\u00e3e, que esse elo n\u00e3o se desfaz por toda uma vida. T\u00e3o profunda essa liga\u00e7\u00e3o que o psiquismo admite complexos como o de \u00c9dipo, onde trazemos dos prim\u00f3rdios da vida a atra\u00e7\u00e3o entre m\u00e3es e filho(a)s. Maternidade n\u00e3o \u00e9 namoro ou casamento. \u00c9 compartilhar a vida, a pr\u00f3pria vida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Sim, \u00e9 ineg\u00e1vel a obra divina na maternidade, ou a perfei\u00e7\u00e3o do universo para os que n\u00e3o creem. Na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 ocidental, Deus se fez homem atrav\u00e9s da mulher, fazendo-a m\u00e3e, m\u00e3e de Deus. Por tudo isso, que o segundo domingo do m\u00eas de maio n\u00e3o seja o \u00fanico dia de homenagem \u00e0s m\u00e3es. Que todo ser humano entenda e reconhe\u00e7a que, n\u00e3o fosse a maternidade, j\u00e1 n\u00e3o existir\u00edamos na face da terra. A dignidade da maternidade \u00e9 inafast\u00e1vel, especialmente numa sociedade onde, al\u00e9m de m\u00e3e, a mulher \u00e9 provedora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 O respeito e o cuidado para com essas mulheres que servem \u00e0 vida deve ser uma constante na forma\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o das pessoas, desde o jardim de inf\u00e2ncia, ali\u00e1s, desde o pr\u00f3prio lar, pois embora a maternidade seja individual\u00edssima, merece todo apoio e reconhecimento dignos dessa dif\u00edcil, nobre e bela fun\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 M\u00e3e \u00e9 M\u00e3e!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Fiquem bem!<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Angelo Marion Psicanalista e Policial Rodovi\u00e1rio Federal www.angelopsicanalise.com \u00a0 \u00a0 \u00a0 A natureza, ou a cria\u00e7\u00e3o, deu \u00e0 mulher a oportunidade \u00fanica de ser respons\u00e1vel pela perpetua\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana. 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