{"id":12725,"date":"2020-02-19T21:47:08","date_gmt":"2020-02-20T00:47:08","guid":{"rendered":"https:\/\/mjtom.com.br\/site1\/?p=12725"},"modified":"2022-01-07T13:03:26","modified_gmt":"2022-01-07T16:03:26","slug":"mascaras-talvez-mas-tambem-uma-defesa-da-existencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinprfsp.org.br\/index.php\/2020\/02\/19\/mascaras-talvez-mas-tambem-uma-defesa-da-existencia\/","title":{"rendered":"M\u00e1scaras? Talvez, mas tamb\u00e9m uma defesa da exist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div class=\"descricao\">\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong><em>Por Angelo Marion<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Psicanalista e Policial Rodovi\u00e1rio Federal<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\"><a href=\"http:\/\/www.angelopsicanalise.com\"><span style=\"font-size: small;\"><em>www.angelopsicanalise.com<\/em><\/span><\/a><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&#8211; Cad\u00ea a crian\u00e7a? &#8211; exclama algu\u00e9m no grupo de adultos parentes da crian\u00e7a. Todos procuram a crian\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 &#8211; Mas voc\u00ea n\u00e3o viu aonde ela foi? N\u00e3o cuidou dela? &#8211; indaga Fulano, integrante do grupo, para outro.<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 O fato \u00e9 um s\u00f3: adultos descuidaram-se da crian\u00e7a e n\u00e3o perceberam, entretidos com a conversa, que ela sa\u00edra de perto deles.<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Objetivamente, qual a prioridade numa situa\u00e7\u00e3o dessas? Sim, encontrar a crian\u00e7a. Responsabilizar algu\u00e9m n\u00e3o \u00e9 prioridade, entretanto, algu\u00e9m teve essa preocupa\u00e7\u00e3o como prioridade.<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Essa prioridade err\u00f4nea de Fulano, estabelecida de forma intencional ou n\u00e3o, traduziu-se no comportamento de acusar ou \u201ccobrar\u201d algu\u00e9m pela situa\u00e7\u00e3o indesejada, por\u00e9m, mesmo de forma intencional, o que levou a esse erro de prioridade? Qual a necessidade de se acusar algu\u00e9m, prioritariamente \u00e0 busca da crian\u00e7a? Mesmo que o tenha feito com o fim de exculpar-se pela neglig\u00eancia, colocando a responsabilidade em outra pessoa, se indagado sobre o porqu\u00ea disso, o acusador dificilmente responder\u00e1 al\u00e9m de \u201ceu n\u00e3o sou culpado\u201d ou \u201co outro \u00e9 descuidado\u201d. Respostas causais ainda s\u00e3o inconscientes.<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Entraram em cena as chamadas \u201cdefesas do ego\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Tais defesas n\u00e3o s\u00e3o boas ou m\u00e1s, haja vista que servem exatamente para proteger o ego, essa inst\u00e2ncia (ou mecanismo) ps\u00edquica que intermedeia o id (puls\u00f5es) e o super-ego (regras de conviv\u00eancia), al\u00e9m de proteger a integridade da personalidade e do pensamento. Por\u00e9m, o exagero ou a inadequa\u00e7\u00e3o geram conflitos e sofrimentos pr\u00f3prios de uma neurose, interferindo na viv\u00eancia e conviv\u00eancia saud\u00e1vel no \u00e2mbito pessoal, social, familiar, profissional e outras intera\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 A situa\u00e7\u00e3o descrita no in\u00edcio \u00e9 t\u00edpica da defesa do ego denominada proje\u00e7\u00e3o, ou seja, a pessoa projeta na outra (ou numa situa\u00e7\u00e3o) um erro ou responsabilidade que sabe ser seu, solidariamente ou n\u00e3o. Anna Freud escreveu especificamente sobre os mecanismos de defesa do ego, mas Freud, seu pai, j\u00e1 os mencionara em 1937, afirmando que falsificam a percep\u00e7\u00e3o interna do sujeito, fornecendo apenas uma representa\u00e7\u00e3o imperfeita e deformada, por isso a dificuldade em ser objetivo.<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 \u00c9 comum, na atividade policial, vermos casos de proje\u00e7\u00e3o das pessoas flagradas em uma infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito, afinal, dificilmente algu\u00e9m, simplesmente, assume que cometeu uma infra\u00e7\u00e3o. A maioria fica dando desculpas, inclusive esfarrapadas, para justificar o erro, sendo prioridade exculpar-se da responsabilidade. \u00c9 para evitar a multa? Pode ser, mas para que tentar justificar com situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o justific\u00e1veis, sabendo que a penalidade ser\u00e1 aplicada? N\u00e3o seria mais objetivo lamentar o preju\u00edzo financeiro?<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Bem, no caso da crian\u00e7a sumida, tenta negar o desejo de livrar-se de compromissos de cuidado e aten\u00e7\u00e3o para com as pessoas. Os que foram prioritariamente procurar a crian\u00e7a, de fato, podem ter tido apenas uma distra\u00e7\u00e3o. Por que tentou negar esse desejo? Para n\u00e3o perder o afeto, quando n\u00e3o se comprometeu com algu\u00e9m, amea\u00e7a essa l\u00e1 do passado, na inf\u00e2ncia&#8230; ou seja, caso n\u00e3o se preocupar com algu\u00e9m, vai ficar sem afeto. Melhor esconder essa despreocupa\u00e7\u00e3o acusando outra pessoa.<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Ainda como exemplo, outra defesa do ego \u00e9 percebida quando o infrator, ao ser flagrado e ter anunciada a autua\u00e7\u00e3o, pede desculpas ou perd\u00e3o ao agente, \u00e0s vezes de forma repetida e insistente. Ora, a infra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma ofensa ao agente, e na maioria das vezes n\u00e3o p\u00f5e em risco a sua integridade, logo, para que pedir desculpas? Poderia fazer isso aos ocupantes do ve\u00edculo, cuja integridade foi amea\u00e7ada com a infra\u00e7\u00e3o. \u00c9 t\u00edpico da defesa do ego denominada deslocamento, ou seja, diante da figura de autoridade invocada pelo agente, o infrator imediatamente reporta-se ao comportamento submisso &#8211; por que n\u00e3o infantil? &#8211; tal como fizera com seus pais, ou ainda compensando a rebeldia exarcebada para com os pais. Em geral, relaciona-se ao complexo de \u00c9dipo. O objeto que n\u00e3o deseja perder s\u00e3o os pais, e para n\u00e3o perder esse objeto afetivo, os reconhece na figura do policial, e desculpa-se, submetendo-se e assim garantindo que, mais uma vez, n\u00e3o fique sem afeto. Caso a rea\u00e7\u00e3o do agente n\u00e3o seja objetiva, em geral a submiss\u00e3o \u00e9 substitu\u00edda pela raiva e rebeldia. J\u00e1 viram isso?<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Por outro lado, quantas vezes presenciamos esse erro de prioridade numa situa\u00e7\u00e3o operacional, fugindo da t\u00e9cnica e colocando a pr\u00f3pria integridade em risco? Quantas vezes eu fiquei indignado e fui r\u00edspido diante de uma infra\u00e7\u00e3o, sem necessidade, percebendo depois que minha rea\u00e7\u00e3o foi apenas uma necessidade emocional?<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Existem outros mecanismos de defesa do ego, como a nega\u00e7\u00e3o, a sublima\u00e7\u00e3o, a rea\u00e7\u00e3o projetiva, dentre outras classifica\u00e7\u00f5es, cujas caracter\u00edsticas podem ser facilmente encontradas na literatura, inclusive na de dom\u00ednio p\u00fablico.<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0Mais uma vez, evidencia-se a import\u00e2ncia das rela\u00e7\u00f5es afetivas &#8211; mais qualitativa que quantitativamente &#8211; como base da vida emocional, e, dentro do determinismo ps\u00edquico, como fundamenal para a realiza\u00e7\u00e3o e plenitude, seja como indiv\u00edduo ou nas diversas intera\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da conviv\u00eancia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Defesas do ego s\u00e3o necess\u00e1rias, mas sua inadequa\u00e7\u00e3o ou abuso podem indicar sofrimento nas rela\u00e7\u00f5es intra e interpessoais.<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Enfim, essas defesas s\u00e3o inerentes ao mecanismo ps\u00edquico, necess\u00e1rias \u00e0 exist\u00eancia da pessoa \u00edntegra e personalizada, cujo conhecimento e conscientiza\u00e7\u00e3o levam \u00e0 sa\u00fade emocional e \u00e0 qualidade de vida sustent\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p class=\"Pargrafobsico\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0 Fiquem bem!<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Angelo Marion Psicanalista e Policial Rodovi\u00e1rio Federal www.angelopsicanalise.com \u00a0 &#8211; Cad\u00ea a crian\u00e7a? &#8211; exclama algu\u00e9m no grupo de adultos parentes da crian\u00e7a. Todos procuram a crian\u00e7a. \u00a0 &#8211; Mas voc\u00ea n\u00e3o viu aonde ela foi? 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